
ALICE BRITO ENCERRA CLUBE DE LEITURA COM REFLEXÃO SOBRE MEMÓRIA E DEMOCRACIA
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- Data 24/06/2026
Apresentação da obra “Perdeu-se Relógio de Senhora”, da escritora setubalense Alice Brito, marcou o encerramento de mais uma edição do Clube de Leitura, promovido pela Biblioteca ESCE/ESS, que reuniu participantes em torno da liberdade, memória e reflexão social.
A sessão foi moderada por António Manuel Marques, docente da Escola Superior de Saúde do Politécnico de Setúbal e autor, que destacou a forma como a obra se desenvolve na época compreendida entre as décadas de 1920 a 1974, revelando que existe uma “sensação de subjetividade, criatividade, memória que se juntam a âncoras verdadeiras da época”. Segundo o moderador, o romance apresenta uma forte reconstrução do quotidiano da época, assumindo a responsabilidade de preservar as memórias daqueles que contribuíram para a construção da democracia.
Durante a conversa, Alice Brito partilhou que a sua principal preocupação foi de se manter fiel à realidade social e cultural do período retratado. Inspirada na vida de uma mulher real para construir uma das narrativas centrais do livro, a autora descreveu uma sociedade “contida, fechada e tapada, as pessoas sussurravam” e refletiu que “medo do medo, dá medo ao quadrado”.
“Tenho a necessidade de sublinhar a submissão, subalternidade das mulheres, a pata sobre as mulheres e a sua vida… Nós hoje somos brindados por mulheres libertas e líderes. ‘O que elas querem mais?’ Esta pergunta ainda se ouve nos dias de hoje nos meios mais reacionários. Enquanto isto se passa, a violência sobre as mulheres continua, a violência doméstica continua e as mulheres morrem. São mortas em números que nos deixam completamente espantados – parece uma guerra civil doméstica. Enquanto isto se passa, os lugares de topo continuam a ser ocupados pelos homens. Apesar dos passos gigantescos o fundo, da questão continua. A luta das mulheres quando para, não para, anda para trás” – Alice Brito, autora de “Perdeu-se Relógio de Senhora”
A sessão contou ainda com a intervenção de Óscar Martins, Chefe da Divisão de Bibliotecas, Arquivo e Documentação (DBAD-IPS), que destacou a autenticidade da obra e felicitou a autora pela publicação de um romance que conjuga humanidade, ironia e uma forte capacidade de observação social, onde a autenticidade é a chave.
O encontro proporcionou um momento de reflexão sobre a memória coletiva, a democracia e a condição feminina, reforçando o papel da literatura enquanto instrumento de compreensão da sociedade e das suas transformações. A iniciativa evidenciou, uma vez mais, a importância do Clube de Leitura das Bibliotecas IPS como espaço de partilha cultural, pensamento crítico e aproximação entre autores, leitores e comunidade académica.
O Clube de Leitura é uma iniciativa das Bibliotecas IPS que começa à 13h00, tem duração de 1h e destina-se a todas as pessoas amantes de literatura por ser um espaço de fruição e partilha de experiências.
Álbum completo de fotografias aqui.
